ÁRVORE
Ruth Vianna
Eu sou a ÁRVORE!
De todos os tamanhos e mil cores.
Acariciada pelos ventos, crio lindas melodias!
Abrigo namorados, invento fantasias...
mas, assim como você, tenho meus temores.
Eu sou a ÁRVORE!
Nem precisava me apresentar.
Pois em qualquer lugar estou presente;
enfeito e alimento os continentes,
mas sempre há alguém querendo me derrubar.
Eu sou a ÁRVORE!
Posso brotar nos vales, nos picos das colinas
e, às vezes, até mesmo nos desertos,
sem ter muita esperança por perto,
enfeito dunas de areias finas.
Eu sou a ÁRVORE!
Nem sempre entendem as minhas mensagens,
porque meus gritos de dor são abafados
e se perdem como as folhas no gramado,
deixando a falsa imagem misturada às ramagens.
Eu sou a ÁRVORE!
Eu também fui criada por Deus!
Tenho vida! Também sinto falta de amor!
Enfeito cada dia, e bailando amenizo seu suor.
Então, por que não ouvem os gemidos meus?!
Eu sou a ÁRVORE!
Por favor, não me sangre com suas serras!
Nem me queime nas chamas do seu inferno!
Um dia ... quando você não mais puder me ver,
e lá no Campo Santo for viver,
por certo embalarei seu sono eterno.
Eu sou a ÁRVORE!
E quando lá em cima ... nas nuvens ...
confundindo-me aos elementos de seu novo habitat
os seus braços meus ramos buscar
e em soluços você tentar me alcançar,
sussurrando direi:
Lembra? eu sou aquela ÁRVORE!

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